Vivemos um Cristianismo que não conhece os seus mais essenciais princípios. Chegue em sua igreja e pergunte o que é regeneração, justificação, santificação, glorificação, redenção, misericórdia, graça e outros fundamentos que fazem parte da vida cristã de qualquer pessoa  e então perceberá que, por alguma falha, deixamos de lado a busca pelo entendimento de pontos tão necessários e profundos da caminhada cristã.

Será, então, que sabemos o que é o verdadeiro arrependimento e sua importância para a vida cristã? Exponho aqui uma tentativa de valorizar este princípio tão importante para o Cristianismo e tão pouco dissertado em nossas igrejas.

Percebe-se, biblicamente, a importância do arrependimento, visto que ele fez parte da pregação de Jesus depois que foi morar na Galiléia (Mt 4:17), dos discípulos quando foram enviados por Jesus (Mc 6:12), de Pedro, quando três mil pessoas foram batizadas (At 2:38), de Paulo quando estava em Atenas (At 17:30), de João Batista no deserto (Mt 3:2) e de Jesus para algumas igrejas em Apocalipse (Ap 2:5, 16,21-22; 3:3,19;).

Lembro-me da primeira das 95 teses de Lutero que diz: “Quando nosso Senhor e Mestre Jesus Cristo disse: ‘Arrependei-vos, ele quis que toda a vida dos fiéis fosse de arrependimento”. Vemos, então, o quão importante é o arrependimento para o cristão e tomo como ponto de partida, dois tipos  de arrependimento, para que, possamos prosseguir para um melhor entendimento do que representa um arrependimento genuíno.

O primeiro deles é a atrição. A atrição é uma vã afirmação de que o pecador merece ser castigado, mas esta não tem a intenção, que seria óbvia, de deixar o pecado e nem a de pedir perdão divino. A atrição não tem relação com a fé, mas é uma reação a prejuízos, devido a alguma atitude. Na bíblia, temos alguns exemplos. Esaú é um bom exemplo de alguém que teve este tipo de arrependimento. Ele não se importou com seu erro, mas sim, com a perda de seu direito de primogenitura (Gn 27:30-46 e Hb 12:17). Saul, da mesma forma, só reconhece que pecou por sofrer as consequências de seu erro (1 Samuel 15:1-31) e mesmo assim, depois de ter dado algumas “desculpas”.

Temos, contudo, o segundo tipo de arrependimento – a contrição, isto é, uma consequência da obra de Cristo em nossas vidas. A contrição é o arrependimento (ainda que imperfeito) verdadeiro. Davi é um bom exemplo, para que entendamos sobre este tipo de arrependimento. A contrição tem a ver com o real reconhecimento do pecado em nossas vidas (Sl 51:3-5; Rm 3:9-18).

O entendimento correto do pecado seguido de um genuíno arrependimento não só se torna um distanciamento da desobediência, mas passa a ser uma mudança de comportamento que busca o desejo de viver de forma santa. D.L Moody disse: “Até que a convicção de pecado nos faça cair de joelhos, até que estejamos completamente humilhados até que tenhamos perdido toda esperança em nós mesmos, não podemos encontrar o salvador”.

E neste momento, chegamos à etapa final do arrependimento: mudança. Até porque, não nos adianta reconhecer o erro, se não mudarmos. Como fora dito, o arrependimento genuíno é parte fundamental do Evangelho e o Salmo 51 nos apresenta isso de forma clara. “Cria em mim, ó Deus, um coração puro”.

O arrependimento é consequência de uma vida regenerada e Davi compreendeu isso. O salmista reconheceu a necessidade de um coração não corrompido pelo pecado. John Piper afirma em seu livro Teologia da Alegria – a plenitude da satisfação em Deus: “O pecado é como a lepra espiritual. Ele mata nossos sentidos espirituais de tal modo que você pode rasgar sua alma e não sente nada”. Davi também notou que só Deus poderia fazê-lo ter um coração puro e isso é muito importante para a nossa compreensão de arrependimento.

Só Deus pode nos transformar e devemos suplicar a Ele a mudança extrema e necessária em nossos corações, para que sejamos cristãos melhores e mais sinceros, além de claro, não negligenciarmos nosso papel enquanto cristãos de buscar viver uma vida santa.

Meu pedido a Deus para a minha vida e para cada cristão que esteja lendo este texto é que tenhamos uma vida que busca o verdadeiro arrependimento, pautado nas Escrituras e que transforma a nossa mente, assim como a nossa vida cada vez mais, até a volta de nosso Senhor.

Paul Washer nos lembra: “A evidência de que você se arrependeu para salvação um tempo atrás, é que você continua se arrependendo hoje e crescendo em arrependimento”.

Então, que Deus nos ajude na busca por um coração puro, para que tenhamos um coração contrito, assim, voltando a ter o máximo possível de comunhão com Deus, afinal, “Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça” (1 João 1:9).

Sobre o autor

Victor Viana

Victor Viana

Seminarista

Tem 18 anos, cursa Teologia no Seminário Teológico Betel, é Missionário do Vida Relevante e membro da Comunidade Batista Vida no Rocha - Rio de Janeiro

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